Mendonça autoriza PF a investigar suposto tráfico de influência de Lulinha no governo

Suspeita é que Lulinha tenha atuado em favor do Careca do INSS no gabinete presidencial e para vender cannabis medicinal ao Ministério da Saúde. Defesa de Lulinha nega irregularidades.

Publiciado em 31/07/2026 as 06:45

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como "Lulinha". O ministro foi sorteado para ser o relator da investigação.

Na semana passada, a Polícia Federal pediu ao STF a abertura de um inquérito para apurar se Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção ao atuar para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes em negócios com o Ministério da Saúde.

Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é apontado como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, conforme as investigações da PF na Operação Sem Desconto.

A informação foi publicada inicialmente pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pelo g1.

A PF suspeita que Lulinha e o Careca tenham tido negócios na área de cannabis medicinal. Como o g1 noticiou em janeiro, o lobista tentou fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025 para vender medicamentos de canabidiol ao governo. O contrato não foi fechado. 

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha, afirmou considerar que a PF pediu esse novo inquérito, sobre atuação na área da saúde, porque não encontrou nenhuma irregularidade envolvendo o filho do presidente na investigação das fraudes do INSS.

 

"Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave", afirmou Carvalho.

 

Lulinha é suspeito de ter atuado para que o Careca fosse recebido no ministério.

O lobista havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios de cannabis medicinal com o governo federal em favor da empresa World Cannabis, que pertencia ao Careca.

A defesa de Roberta nega irregularidades em seu contrato com o Careca e afirma que jamais repassou qualquer valor a Lulinha.

No início de 2025, o Careca do INSS foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, o Berger, que era secretário-executivo — o número 2 da pasta.

Depois de sair do ministério, em 2025, Berger virou chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente da República.

A PF investiga possível tráfico de influência tanto no Ministério da Saúde como no gabinete presidencial.

Berger afirmou ao g1, em nota, que "a agenda [com o Careca] ocorreu em conformidade com as atribuições da sua função à época, sem que tenha havido qualquer tipo de 'orientação' para a sua realização".

 
"Como não houve interesse do ministério em adquirir qualquer produto ou serviço da empresa, o encontro não teve nenhum desdobramento, o que evidencia sua condução técnica e afasta a tese de qualquer tipo de influência política", disse Berger em janeiro deste ano.

 

A viagem foi para visitar uma fábrica de medicamentos de canabidiol, mas, segundo a defesa, não resultou em nenhum negócio entre Lulinha e o lobista.

"Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger, a empresária Roberta. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu, qualquer que tenha sido, contrato de forma direta ou indireta. Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite e viajou para Portugal", disse Carvalho.

 
 
Fonte: G1 

 

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