Vira-lata caramelo: teste de DNA revela a origem genética do cão mais amado do país

Três vira-latas caramelos de diferentes regiões do país tiveram o DNA analisado em um laboratório de genética animal da USP. O resultado mostrou dezenas de raças na composição genética e reforçou a diversidade por trás de um dos maiores símbolos brasileiros.

Publiciado em 27/07/2026 as 07:53

Ele está nos memes, nas ruas, nas redes sociais e até já foi cotado para estampar uma cédula de dinheiro. O vira-lata caramelo virou um personagem da cultura brasileira. Mas uma pergunta ainda permanecia sem resposta para muita gente: afinal, o que existe no DNA desse cachorro tão amado?

Para descobrir, três caramelos de diferentes partes do país passaram por testes genéticos em um laboratório de genética animal da Universidade de São Paulo (USP). A proposta era investigar se cães aparentemente parecidos carregam histórias genéticas semelhantes e entender o que está por trás da aparência que conquistou os brasileiros.

Os escolhidos foram Jenny, de São Paulo; Valente, do Rio de Janeiro; e Frevo, de Recife. Com a ajuda de um cotonete passado na gengiva dos animais, amostras de DNA foram coletadas e enviadas para análise. Depois, os pesquisadores cruzaram o material biológico com milhares de marcadores genéticos capazes de identificar ancestrais e traços raciais.

Uma mistura que desafia qualquer aposta

 

Antes dos resultados, tutores e especialistas fizeram suas apostas.

Pelas características físicas, muitos acreditavam que Valente tinha traços de pastor-alemão. Frevo era chamado carinhosamente de "labradoido", por lembrar um labrador. Já Jenny também despertava palpites relacionados a cães pastores.

Mas o DNA contou uma história bem mais complexa.

No caso de Valente, o exame identificou traços de boxer, pastor americano miniatura, pastor branco suíço, galgo espanhol, presa canário, bulldog campeiro e até chihuahua. Ainda assim, 75% da composição genética correspondiam a dezenas de outras raças sem influência significativa no comportamento do animal. O diagnóstico foi claro: um legítimo vira-lata.

Frevo apresentou uma mistura ainda mais extensa. Entre as principais influências apareceram fila brasileiro, pastor da Mantiqueira, doberman, parson russell terrier, pumi, spino degli Iblei e beauceron. No total, 74% de sua composição genética estavam associadas a outras 62 raças diferentes.

Já Jenny revelou uma surpresa. Embora também tenha uma composição bastante variada, uma raça apareceu com destaque: Yorkshire terrier. Segundo a geneticista responsável pela análise, a porcentagem encontrada indica que um dos avós da cadela provavelmente era um Yorkshire de raça pura.

 

O que faz um cachorro ser caramelo?

A resposta não está em uma raça específica.

Segundo a geneticista Fabiana, a cor caramelo pode surgir por mais de um mecanismo genético, o que ajuda a explicar por que esses cães são tão comuns. De acordo com ela, quase 40% dos vira-latas apresentam essa coloração, índice superior ao de qualquer outro grupo de pelagem. 

Por isso, o caramelo não é uma raça, mas o resultado de inúmeras combinações genéticas construídas ao longo das gerações.

Os exames também mostraram que não existe um único "modelo" de vira-lata caramelo. Os três cães analisados apresentaram composições muito diferentes entre si, refletindo histórias, origens e cruzamentos distintos.

 

Um retrato da diversidade brasileira

Para especialistas, talvez seja justamente essa mistura o motivo da enorme identificação dos brasileiros com o caramelo.

A médica-veterinária Rita Ericson compara os cães à própria população do país. Assim como não existe um único tipo de brasileiro, também não existe um único tipo de caramelo. Eles podem ser pequenos, médios ou grandes; claros ou escuros; mais agitados ou mais tranquilos.

Além da genética, a personalidade também é moldada pelas experiências de vida, pelo ambiente e pelas relações construídas ao longo do tempo. Por isso, dois caramelos podem ter aparências parecidas, mas comportamentos completamente diferentes.

 

Fonte: G1

 

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