Como o novo tarifaço de Trump atinge cada estado do Nordeste

Estados Unidos mantiveram isenção para produtos estratégicos da pauta brasileira, como café, carne, petróleo, celulose e suco de laranja.
A nova lista de tarifas anunciada pelos Estados Unidos criou um cenário de contrastes para as exportações brasileiras. Enquanto produtos agrícolas e commodities ficaram fora da nova cobrança, diversos bens industriais passaram a enfrentar uma tarifa de 25%, aumentando a preocupação entre empresas exportadoras.
A princípio, para o Nordeste, os efeitos tendem a ser diferentes entre os estados. Regiões fortemente ligadas ao petróleo, celulose, frutas e pescado devem sentir um impacto menor no curto prazo. Já polos industriais voltados à fabricação de calçados, máquinas, equipamentos e produtos manufaturados podem enfrentar maior pressão.
O que ficou de fora da tarifa?
Dessa forma, entre os principais produtos brasileiros preservados pelos Estados Unidos estão:
| Café | Etanol |
| Carne bovina | Máquinas agrícolas |
| Petróleo bruto e gás natural | Maquinário elétrico |
| Laranja e suco de laranja | Calçados |
| Aeronaves e motores | Vestuário |
| Produtos farmacêuticos | Equipamentos de mineração |
| Semicondutores | Papel |
| Celulose | Produtos químicos |
| Ferro-gusa | Bens de capital |
| Castanhas e peixes | Manufaturados em geral |
A decisão preserva parte importante da pauta exportadora brasileira, mas aumenta os custos de diversos segmentos industriais.
Como fica o Nordeste?
Antes de mais nada, a economia nordestina possui uma pauta exportadora bastante diversificada. Alguns estados devem sentir impactos limitados, enquanto outros podem enfrentar maiores desafios.
Bahia
Em suma, a Bahia concentra um dos maiores parques industriais do Nordeste. Desse modo, entre seus principais produtos exportados estão:
- celulose;
- produtos químicos;
- petróleo;
- papel;
- calçados.
A manutenção da isenção para a celulose e o petróleo reduz parte do impacto. Contudo, setores como calçados e produtos químicos podem perder competitividade no mercado norte-americano.
Ceará
Ao mesmo tempo, o Ceará possui forte presença da indústria de transformação. Os segmentos mais expostos incluem:
- calçados;
- máquinas e equipamentos;
- produtos metalúrgicos.
Por outro lado, a exportação de pescado e castanhas continua beneficiada pela isenção.
Pernambuco
Antes de mais nada, o estado reúne polos industriais importantes, além do Complexo de Suape. Equipamentos industriais, máquinas e manufaturados estão entre os produtos que podem enfrentar maiores dificuldades caso a tarifa afete a demanda.
Rio Grande do Norte
A economia potiguar tende a sofrer impacto mais moderado. Assim, entre os produtos relevantes do estado estão: petróleo, frutas e pescado. Grande parte desses itens permaneceu fora da nova tarifa.
Maranhão
O Maranhão possui forte participação de commodities minerais e ferro-gusa. Como o ferro-gusa foi preservado; Desse modo, o estado tende a enfrentar efeitos menores em relação a outras unidades da federação.
Piauí
As exportações piauienses concentram-se principalmente em produtos do agronegócio, que permaneceram isentos.
Sergipe
O estado tem participação importante de petróleo e fertilizantes, o que reduz o impacto imediato da medida.
Alagoas
Produtos ligados ao setor sucroenergético podem enfrentar maior atenção devido à tarifa sobre o etanol, embora outros segmentos exportadores permaneçam preservados.
Paraíba
A Paraíba possui exportações diversificadas. Dessa forma, inclui calçados, setor que está entre os mais afetados pela nova política tarifária.
Panorama do impacto por estado
| Bahia | Impacto misto: proteção para petróleo e celulose, pressão sobre indústria |
| Ceará | Maior atenção para calçados e manufaturas |
| Pernambuco | Risco maior para bens industriais |
| Rio Grande do Norte | Impacto reduzido devido ao petróleo e frutas |
| Maranhão | Ferro-gusa preservado reduz efeitos |
| Piauí | Baixo impacto imediato |
| Sergipe | Petróleo ajuda a amortecer perdas |
| Alagoas | Atenção ao setor sucroenergético |
| Paraíba | Indústria calçadista pode sentir efeitos |
Relação comercial continua favorável aos dois países?
Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação comercial de longa data e altamente integrada. Ao longo dos últimos 15 anos, estudos e estatísticas de comércio mostram que os Estados Unidos registraram, em vários períodos, superávit acumulado nas trocas comerciais de bens e serviços com o Brasil, o que significa que venderam mais ao mercado brasileiro do que compraram em determinados recortes temporais. Ainda assim, as balanças variam conforme o período analisado e a metodologia utilizada.
Portanto, a nova rodada de tarifas ocorre em um contexto de tensões comerciais e políticas mais amplas entre os dois países. Afinal, especialistas avaliam que, além dos aspectos econômicos, decisões tarifárias frequentemente refletem estratégias de política comercial e geopolítica.
Fonte: Portal N9
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