Como o novo tarifaço de Trump atinge cada estado do Nordeste

Publiciado em 16/07/2026 as 10:16

Estados Unidos mantiveram isenção para produtos estratégicos da pauta brasileira, como café, carne, petróleo, celulose e suco de laranja.

A nova lista de tarifas anunciada pelos Estados Unidos criou um cenário de contrastes para as exportações brasileiras. Enquanto produtos agrícolas e commodities ficaram fora da nova cobrança, diversos bens industriais passaram a enfrentar uma tarifa de 25%, aumentando a preocupação entre empresas exportadoras.

A princípio, para o Nordeste, os efeitos tendem a ser diferentes entre os estados. Regiões fortemente ligadas ao petróleo, celulose, frutas e pescado devem sentir um impacto menor no curto prazo. Já polos industriais voltados à fabricação de calçados, máquinas, equipamentos e produtos manufaturados podem enfrentar maior pressão.

O que ficou de fora da tarifa?

Dessa forma, entre os principais produtos brasileiros preservados pelos Estados Unidos estão:

Produtos isentosProdutos com tarifa de 25%
Café Etanol
Carne bovina Máquinas agrícolas
Petróleo bruto e gás natural Maquinário elétrico
Laranja e suco de laranja Calçados
Aeronaves e motores Vestuário
Produtos farmacêuticos Equipamentos de mineração
Semicondutores Papel
Celulose Produtos químicos
Ferro-gusa Bens de capital
Castanhas e peixes Manufaturados em geral

A decisão preserva parte importante da pauta exportadora brasileira, mas aumenta os custos de diversos segmentos industriais.

Como fica o Nordeste?

Antes de mais nada, a economia nordestina possui uma pauta exportadora bastante diversificada. Alguns estados devem sentir impactos limitados, enquanto outros podem enfrentar maiores desafios.

Bahia

Em suma, a Bahia concentra um dos maiores parques industriais do Nordeste. Desse modo, entre seus principais produtos exportados estão:

  • celulose;
  • produtos químicos;
  • petróleo;
  • papel;
  • calçados.

A manutenção da isenção para a celulose e o petróleo reduz parte do impacto. Contudo, setores como calçados e produtos químicos podem perder competitividade no mercado norte-americano.

Ceará

Ao mesmo tempo, o Ceará possui forte presença da indústria de transformação. Os segmentos mais expostos incluem:

  • calçados;
  • máquinas e equipamentos;
  • produtos metalúrgicos.

Por outro lado, a exportação de pescado e castanhas continua beneficiada pela isenção.

Pernambuco

Antes de mais nada, o estado reúne polos industriais importantes, além do Complexo de Suape. Equipamentos industriais, máquinas e manufaturados estão entre os produtos que podem enfrentar maiores dificuldades caso a tarifa afete a demanda.

Rio Grande do Norte

A economia potiguar tende a sofrer impacto mais moderado. Assim, entre os produtos relevantes do estado estão: petróleo, frutas e pescado. Grande parte desses itens permaneceu fora da nova tarifa.

Maranhão

O Maranhão possui forte participação de commodities minerais e ferro-gusa. Como o ferro-gusa foi preservado; Desse modo, o estado tende a enfrentar efeitos menores em relação a outras unidades da federação.

Piauí

As exportações piauienses concentram-se principalmente em produtos do agronegócio, que permaneceram isentos.

Sergipe

O estado tem participação importante de petróleo e fertilizantes, o que reduz o impacto imediato da medida.

Alagoas

Produtos ligados ao setor sucroenergético podem enfrentar maior atenção devido à tarifa sobre o etanol, embora outros segmentos exportadores permaneçam preservados.

Paraíba

A Paraíba possui exportações diversificadas. Dessa forma, inclui calçados, setor que está entre os mais afetados pela nova política tarifária.

Panorama do impacto por estado

EstadoSituação predominante
Bahia Impacto misto: proteção para petróleo e celulose, pressão sobre indústria
Ceará Maior atenção para calçados e manufaturas
Pernambuco Risco maior para bens industriais
Rio Grande do Norte Impacto reduzido devido ao petróleo e frutas
Maranhão Ferro-gusa preservado reduz efeitos
Piauí Baixo impacto imediato
Sergipe Petróleo ajuda a amortecer perdas
Alagoas Atenção ao setor sucroenergético
Paraíba Indústria calçadista pode sentir efeitos

 

Relação comercial continua favorável aos dois países?

Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação comercial de longa data e altamente integrada. Ao longo dos últimos 15 anos, estudos e estatísticas de comércio mostram que os Estados Unidos registraram, em vários períodos, superávit acumulado nas trocas comerciais de bens e serviços com o Brasil, o que significa que venderam mais ao mercado brasileiro do que compraram em determinados recortes temporais. Ainda assim, as balanças variam conforme o período analisado e a metodologia utilizada.

Portanto, a nova rodada de tarifas ocorre em um contexto de tensões comerciais e políticas mais amplas entre os dois países. Afinal, especialistas avaliam que, além dos aspectos econômicos, decisões tarifárias frequentemente refletem estratégias de política comercial e geopolítica.

 

Fonte: Portal N9

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