FGC deu ajuda bilionária ao Master meses antes de liquidação
Conglomerado de Daniel Vorcaro pediu ajuda ao fundo em abril de 2025 para viabilizar reorganização societária e saída organizada do mercado

O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) prestou assistência financeira de R$ 4,3 bilhões ao conglomerado Master meses antes das instituições financeiras ligadas a Daniel Vorcaro serem liquidadas pelo Banco Central. Documento obtido pelo CNN Money mostra que o fundo prestou ajuda entre 5 de maio e 1° de outubro de 2025.
A assistência financeira era destinada integralmente à quitação de instrumentos que demandariam cobertura do fundo em caso de liquidação extrajudicial, com objetivo de viabilizar a reorganização societária do banco e sua saída organizada do mercado. Em contrapartida, o conglomerado realizou captações de apenas R$ 90,2 milhões.
Sendo assim, os recursos desembolsados pelo FGC seriam direcionados unicamente para o pagamento de títulos que, na eventualidade de uma liquidação extrajudicial, acionariam a garantia oferecida pelo Fundo. O limite de garantia estabelecido foi de R$ 250 mil.
O estatuto do FGC permite ao fundo contratar operações de assistência ou de suporte financeiro, inclusive operações de liquidez, com as instituições associadas, desde que a operação tenha como finalidade proteger investidores, prevenir crises bancárias sistêmicas ou contribuir para a manutenção da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional.
A área técnica do BC afirmou que, apesar da frustração de soluções de mercado, houve redução do custo para a sociedade e para o FGC durante o processo.
A exposição do FGC foi reduzida de R$ 51 bilhões para cerca de R$ 40 bilhões, em caso de efetivo desembolso em decorrência do regime especial.
Apesar da assistência de liquidez de curto prazo prestada pelo FGC, bem como as demais ações adotadas – a exemplo de aumentos de capital, cessão de carteiras e ingresso de recursos via alienação de ativos próprios do controlador –, a crise crônica de liquidez do conglomerado continuou a se agravar.
Em 21 de setembro de 2025, o Banco Master apresentou novo plano de solução ao Banco Central, informando que a recomposição dos depósitos compulsórios somente seria plenamente efetivada no prazo de 180 dias, a partir das seguintes medidas:
- Alienação de 100% do capital do Master Múltiplo e, por conseguinte, da Will Financeira, transferindo-se o controle dessas instituições;
- Transferência de controle do Letsbank a investidores institucionais;
- Reestruturação dos custos do Banco Master;
- Celebração de acordo operacional com o BRB, que se comprometeu a adquirir até R$ 400 milhões mensais em operações de crédito originadas pelo Banco Master, em condições de mercado;
- Investimento e capitalização do Banco Master em até US$400 milhões, por meio do ingresso de investidores estrangeiros;
- Liquidação privada organizada e ágil de ativos, conjugada com assistência de liquidez do FGC, a ocorrer até dezembro de 2026; e
- Destinação, ao Banco Master, de direitos creditórios detidos pelo controlador, no montante de até R$ 8,5 bilhões.
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Dois dias depois, em 23 de setembro de 2025, o FGC comunicou ao Banco Master que, como medida de "boa-fé", poderia vir a considerar a extensão da linha de assistência ao conglomerado, condicionada a plano concreto e viável de saída organizada de mercado.
As negociações entre o grupo e o fundo resultaram, em 7 de outubro de 2025, a extensão da linha de assistência financeira exclusivamente à Will Financeira no período de 2 de outubro a 30 de novembro de 2025 e no afrouxamento de parte do acordo firmado em setembro. Os termos foram aceitos pelo Banco Master em 8 de outubro de 2025.
No entanto, o negócio com o FGC não conseguiu amenizar, de modo suficiente, a crise crônica e aguda de liquidez enfrentada pelas instituições do grupo Master.
Por essa razão, o Banco Central entendeu que a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master era a solução solução adequada capaz de preservar o SFN (Sistema Financeiro Nacional).
Em 18 de novembro, quando o Banco Master foi liquidado, a instituição dispunha de um caixa livre em Títulos Públicos Federais de apenas R$ 4,8 milhões, ante um fluxo de vencimentos imediatos de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) na ordem de R$ 48,6 milhões a pagar.
Após analisar a condução do processo de liquidação do conglomerado, a Audibancos (Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros do Tribunal de Contas da União) concluiu que o processo de liquidação do Banco Master pelo Banco Central foi correto e dentro do esperado.
Na avaliação dos técnicos, a liquidação foi uma medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada.
Desde o fim do ano passado, o Banco Central liquidou nove instituições financeiras ligadas a Daniel Vorcaro. Por conta disso, o FGC vai ter que desembolsar mais de R$ 51 bilhões aos credores, o que representa o maior resgate da série histórica do fundo.
Ao CNN Money, a defesa de Daniel Vorcaro e o Banco Central informaram que não vão se manifestar. O FGC disse que não comenta sobre entidades associadas.
Fonte:CNNBrasil
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